O FUTURO DO CAPITALISMO
Desde o inicio da Revolução Industrial, iniciadas em meados do século XVIII, quando o sucesso de uma sociedade passou a ser definido como a elevação dos padrões de vida da população, nenhum sistema econômico conseguiu superar ou mesmo igualar o capitalismo. Ninguém sabe como desenvolver uma economia a não ser com base no mercado. Quando se trata de satisfazer as vontades e os desejos de cada individuo, independentemente de quão fúteis possam parecer para os outros, nenhum sistema chega aos pés da economia de mercado. Os concorrentes do capitalismo do século XX – o nazi-facismo e o socialismo – foram-se todos.
Todavia os maiores inimigos do capitalismo estão dentro dele. Apesar de os sistemas concorrentes terem desaparecido, o capitalismo vem produzindo um agravamento de sues problemas fundamentais: desigualdades sociais e internacionais, desemprego em grande escala, instabilidades financeiras (perda de valor de inúmeras moedas nacionais), etc. Alguma coisa tem mudar para que o capitalismo sobreviva no século XXI. Existe hoje cinco processo que modificam o mundo social e econômico e quem quiser se sair bem no século terá que aprender a lidar bem corretamente com cada um deles.
O primeiro desses processos fundamentais e o fim do socialismo, que trouxe cerca de um terço da humanidade de volta para o mundo capitalista. Isso pode parecer fácil mais não é. Esses dois bilhões de individuo terão de mudar completamente a sua vida cotidiana. Eles terão a oportunidade de tomar as suas próprias decisões, algo que nunca puderam fazer no passado, mas, em contrapartida, estarão correndo riscos (de ficar sem emprego, por exemplo) e terão de ter iniciativa (tais como iniciar um novo negocio, procurar acordos ou um novo apartamento), o que também nunca enfrentaram no passado.
O segundo desses processos que estão reformulando profundamente o mundo é uma radical mudança tecnológica: o poder cerebral esta se tornando muito mais importante que os recursos naturais. Nos século XIX e XX os recursos naturais ainda predominavam: as reservas de carvão ou de petróleo, a localização estratégica e outros fatores semelhantes eram importantes para o desenvolvimento de um país ou de uma região. Hoje isso não vale mais. O grande recurso atual é a força do trabalho qualificada, o chamado poder cerebral ou do conhecimento. Os vencedores do século XXI serão aqueles – países, regiões ou mercados internacionais – que tiveram as melhores universidades, os melhores institutos de pesquisas cientificas e tecnológicas, ou melhores incentivos para o trabalho de criação e de inovação.
O terceiro processo é a mudança demográfica: a população mundial esta crescendo mudando de lugar e ficando cada vez mais velha. Ela cresce nos países mais pobres mais é empurrada para o exterior, para os países mais ricos, pelas condições miseráveis de vida do seu país de origem. Só que essa mão-de-obra qualificada, com baixa escolaridade não é mais necessária no mundo desenvolvido o que agrava os conflitos, o desemprego e os preconceitos contra os imigrantes. E, ao mesmo tempo, o número e proporção dos idosos (e de aposentados) não param de crescer no mundo todo e, em especial, nos países ricos. Um dos maiores desafios de século XXI e combater o desemprego crescente e, ao mesmo tempo, suprir a necessidade de aposentadoria para um número de idosos nunca visto anteriormente.
Outro processo fundamental dos nossos dias é a globalização: as economias nacionais estão desaparecendo e no seu lugar surge uma economia global resultante de mudanças ocorridas nos transportes, nas comunicações e em outras tecnologias (computadores, processo de produção). Pela primeira vez na historia da humanidade, qualquer coisa pode ser feita em qualquer parte e vendida em todo o mundo. Isso significa produzir cada componente e executar cada atividade na região do globo em que isso possa ser feito a um custo menor e vender os produtos ou serviços resultante onde os preços e os lucros sejam mais altos. Diminuir os custos e ampliar os lucros: este é o lema do capitalismo. Ligações sentimentais com a “pátria”, com um determinado país ou região, não fazem parte do sistema.
E, finalmente o quinto processo fundamental é a multipolaridade: vivem numa era em que não há nenhuma potência dominante no mundo. Isso coloca o desafio de como manter o sistema unido sem um líder. Na última metade do século XX o sistema capitalismo mundial foi mantido unido pelo medo do socialismo, que produziu uma aceitação de liderança norte-americana. Hoje não existem mais ameaças para manter o sistema unido.
Fonte: VESSENTINI, José W. Brasil: Sociedade e espaço. Ática, 2002.
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