terça-feira, 29 de março de 2011

A questão do lixo no Brasil


O lixo no Brasil... A quem interessa?

O lixo brasileiro é considerado um dos mais ricos do mundo e sua reciclagem é fortemente sustentada pela catação informal. O planeta atingiu este ano a marca de seis bilhões de pessoas. E esse enorme contingente humano terá que procurar sobrevivência em um mundo em que a deterioração do meio ambiente é um fato presente e uma realidade dolorosa. A degradação da condição humana é constatada, sobretudo, nas grandes cidades.

            Estará o homem do terceiro milênio, da era da modernidade, preparado para o desafio de resolver os desequilíbrios ambientais e assegurar uma qualidade mínima de vida? Estará ele capacitado para realizar tarefas aparentemente simples como a de dar destinação adequada ao lixo produzido por todos os cantos do mundo?
A administração do lixo já é hoje uma das grandes preocupações na organização urbana. As instituições e entidades ambientalistas têm divulgado números astronômicos sobre o assunto. De acordo com os dados mais freqüentemente utilizados, só nos Estados Unidos, cada pessoa gera dois quilos de lixo por dia, alcançando um total anual de 190 trilhões de quilos. No Brasil, cada pessoa gera, em média, um quilo de lixo por dia. Por ano, são produzidos 55 trilhões de quilos.

            O lixo brasileiro é tido como um dos mais ricos do mundo. Mas, para Heliana Katia Campos, secretária-executiva do Fórum Nacional Lixo e Cidadania, da Unicef não está sendo dada a devida importância às questões relativas ao saneamento ambiental, em especial à coleta e destinação adequada dos resíduos.
Ela alerta para o fato de que o descarte aleatório dos resíduos em nascentes, córregos, margens de rios e estradas, além de provocar problemas ambientais graves e poluir as águas, que muitas vezes são captadas para consumo, atrai para estes locais um exército de desempregados e famintos, que sobrevivem à custa da cata de resíduos para a sua alimentação e para comercialização. Katia ressalta ainda que o problema da catação de lixo por seres humanos é "regra geral", de norte a sul do país, tanto em cidades de pequeno porte como nas grandes capitais. "É uma situação constrangedora e inaceitável, fruto da miséria, do desemprego e da busca desesperada pela sobrevivência".

            O programa da Unicef preconiza a necessidade de uma intervenção social voltada ao resgate da cidadania dos trabalhadores que vivem em condições de absoluta pobreza, "sobrevivendo das sobras e dos desperdícios dos mais afortunados". Como alternativa à catação nos lixões, as ONG e os Governos procura incentivar a coleta seletiva, com a participação das famílias dos catadores, propiciando a geração de postos de trabalho e renda para as mesmas.

            Reciclagem
            A reciclagem no Brasil é fortemente sustentada pelos garimpeiros do lixo (catação informal). Os programas criados pelo poder púbico, muitas vezes em parecia com os catadores, também têm se difundido. Entre os principais méritos da reciclagem estão o de reduzir o volume de lixo de difícil degradação, o de contribuir para a economia de recursos naturais, onde prolongar a vida útil dos aterros sanitários, o de diminuir a poluição do solo, da água e do ar e o de evitar o desperdício, contribuindo para a preservação do meio ambiente. Trata-se de um processo de transformação de materiais para reaproveitamento na indústria e na agricultura.

            São basicamente dois os modelos de programas de reciclagem implantados em municípios brasileiros: coleta seletiva de lixo e usinas de reciclagem. Há muitos exemplos de cidades em que a reciclagem já atingiu um estágio avançado, com resultados importantes. Curitiba (PR), com o programa "Lixo que não é lixo", implantado há 10 anos, representa com louvor essas experiências bem sucedidas. Mas, de acordo com o levantamento da Unicef sobre a destinação final do lixo no Brasil, constata-se uma precária situação na maioria dos municípios: 88% deles não possuem conselho de meio ambiente, tido como principal instrumento de controle dos problemas ambientais. Apenas 34% das cidades têm um órgão ambiental especifico, em 25% são outras instâncias que respondem pela área ambiental e em 41% não há qualquer órgão responsável pela gestão ambiental.

Temos diversos tipos de materiais, que podem ser reciclados, devemos tomar cuidado pois alguns materiais existentes não podem ser reciclados. Saiba o que pode e o que não pode ser reciclado:

Reciclável
Não-Reciclável também chamado de Rejeitos
Papel
jornais e revistas
etiqueta adesiva
folhas de caderno
papel carbono
formulários de computador
fita crepe
caixas em geral
papéis sanitários
aparas de papel
papéis metalizados
Fotocópias
papéis parafinados
Envelopes
papéis plastificados
Provas
papéis sujos
Rascunhos
guardanapos
cartazes velhos
bitucas de cigarro
papel de fax
fotografias
Metal
lata de folha de flandres (lata de óleo,
salsicha, leite em pó, etc)

lata de alumínio

sucatas de reformas
esponjas de aço
canos
Vidros
Embalagens
espelhos
garrafas de vários formatos
vidros planos
Copos
lâmpadas
cerâmica
porcelana
tubos de TV - gesso
Plástico
embalagem de refrigerante
cabo de panela
embalagem de material de limpeza
tomadas
copinho de café
embalagem de biscoito
embalagem de margarina
canos e tubos
sacos plásticos em geral
misturas de papel, plásticos e metais

Fonte: Compan; Qualidade on line; Estadão; A Tarde. Adaptação: Antonio Mota. Nov. de 2010.

A formação do território brasileiro


História do Brasil – do descobrimento até colonização
São inúmeros os autores, como Caio Prado Júnior, Florestan Fernandes, José de Souza Martins e Cristovan Buarque, que já pesquisaram, descreveram e até mesmo debateram sobre a formação do Brasil e as características de sua colonização e a respectiva influência sobre o meio rural brasileiro. Prado JR. (1994, p. 13) comenta que para se compreender o caráter da colonização brasileira é preciso recuar no tempo para antes do seu início, e indagar das circunstâncias que a determinara. Segundo este autor, a descoberta e colonização da América se originam da expansão marítima dos países da Europa, depois do séc. XV, de simples empresas comerciais levadas a efeito pelos navegadores daqueles países.
Prado JR. (1994, p. 22) aponta a diferença básica existente entre a colonização das zonas temperadas e das zonas tropicais. Enquanto que nas zonas temperadas se constituíram colônias propriamente de povoamento, escoadouro para os excessos demográficos da Europa, que reconstituem no novo mundo uma organização e uma sociedade à semelhança do seu modelo e origem europeus; nos trópicos, pelo contrário, surgirá um tipo de sociedade inteiramente original. Não será a simples feitoria comercial que já vimos irrealizável na América. Mas conservará, no entanto, um acentuado caráter mercantil; será a empresa do colono branco que reúne à natureza, pródiga em recursos aproveitáveis para a produção de gêneros de grande valor comercial, o trabalho recrutado entre raças inferiores que domina: indígenas ou negros africanos importados.
Para este autor, o Brasil ainda traz nas suas feições, até o presente, um forte caráter colonial que esteve presente na sua formação, ou seja, nos constituímos para fornecer açúcar, tabaco, alguns outros gêneros; mais tarde, ouro e diamante; depois algodão, e em seguida café, para o comércio europeu. Nada mais que isto. É com tal objetivo, objetivo exterior, voltado para fora do país e sem atenção a considerações que não fossem o interesse daquele comércio, que se organizaram a sociedade e a economia brasileiras.
Juntamente com o caráter colonial, instalou-se no Brasil, a grande propriedade rural, uma vez que os pioneiros que para cá se dirigissem não tinham intenção de serem meros agricultores, mas sim ansiavam em serem grandes latifundiários. Da mesma forma, quando aqui chegaram, agora já grandes proprietários devido aos grandes pedaços de terra recebidos diretamente da coroa portuguesa como incentivo para a vinda de tais pessoas para a colonização do Brasil, não iriam se submeterem ao trabalho duro nas grandes plantações de cana-de-açúcar, conseqüentemente, com a propriedade monocultural, instala-se o trabalho escravo nas terras brasileiras. Segundo Carvalho (1978, p. 54) as três características fundamentais da nossa estrutura agrária são: a grande propriedade, a monocultura (culturas de exportação) e o trabalho escravo. A estas, alia-se o caráter do colono europeu que se dirige aos trópicos – português, no caso – que não é o de um simples trabalhador, povoador, e sim o explorador, o negociante que vem para dirigir, realizar um bom negócio.
Um dos problemas mais sérios que a população colonial teve que enfrentar, segundo Prado JR. (1994, p. 43), foi o abastecimento dos núcleos de povoamento mais densos, onde a insuficiência alimentar se tornou quase sempre a regra. Como o caráter geral da colonização brasileira era o de uma colônia destinada a fornecer ao comércio europeu alguns gêneros tropicais de grande expressão econômica, tudo mais que nela existia, e que, aliás, será sempre de pequena monta, era subsidiário e destinado unicamente a amparar e tornar possível a realização daquele objetivo essencial. A população rural da colônia ocupada nas grandes lavouras e que constituía a quase totalidade dela, provê suficientemente a sua subsistência com culturas alimentares a que se dedica subsidiariamente, e sem necessidade de recorrer para fora. O problema de carestia e falta de alimentos não existia para os senhores de engenho, e convinha-lhes muito mais plantar a sua cana, embora pagassem preços mais elevados pelos gêneros que consumiam. Dentro deste cenário está a origem da agricultura de subsistência brasileira, intimamente relacionada com a agricultura de exportação, pois sempre eram realizadas dentro dos engenhos, ora consorciados ou entremeados com cana e o algodão, ora em pequenas roças de escravos de agregados, ou do próprio proprietário (CARVALHO, 1978, p. 55).
É nessa paisagem rural de uma economia colonial, voltada para o mercado externo que, segundo Carvalho (1978, p. 77), vai se formando a estrutura agrária e a organização social e econômica. Um país de dimensões continentais com grandes propriedades e relativamente poucos trabalhadores. Ainda, de acordo com Carvalho (1978, p. 77-78), na medida em que se intensificava o plantio de novas áreas, aumentava-se a exploração de novas terras conjugadas com o aumento dos outros setores da economia, ocasionando um aumento na demanda de mão-de-obra, evidentemente do negro africano. Mas, em fins do século XVIII e princípios do século XIX, já se ouviam no Brasil e no exterior, vozes contra a escravidão.
Com a cessação oficial do tráfico de escravos em 1831, Martins (1973) comenta que o preço do mesmo subiu e aumentou o tráfico entre províncias. Entretanto, além disto, não havia como renovar esta força de trabalho. O Brasil que tinha sua economia baseada no trabalho escravo se viu diante da urgência em encontrar mão-de-obra barata para manter a grande "lavoura", como era chamada a agricultura de exportação. Sendo assim, o país viu-se diante da necessidade de uma política imigrantista que tinha outra finalidade além do povoamento do extremo e garantir a posse do território brasileiro.
Segundo Martins (1973, p. 16) a imigração maciça de trabalhadores estrangeiros para o Brasil, principalmente italianos, sobretudo a partir de 1886, durante quase meio século, está diretamente ligada à constituição de um mercado livre de trabalho para a grande lavoura, tendo como suporte simbólico a ascensão social do trabalhador para essa forma de campesinato. Forma que foi, portanto, produzida diretamente pelas condições e possibilidade de efetivação do capitalismo no Brasil.
Ainda, ao tratar do fim da escravidão e da implantação do trabalho livre no Brasil, Martins (1998, p.12-22) afirma que no Brasil, na crise do trabalho escravo, foi engendrada a modalidade de trabalho que o superaria, isto é, o trabalho livre, sendo essa a sua única e inicial adjetivação. A modificação ocorrera para preservar a economia fundada na exportação de mercadorias tropicais, como café, para os mercados metropolitanos, e baseada na grande propriedade fundiária. A contradição que permeia a emergência do trabalho livre expressa-se na transformação das relações de produção como meio de realização do capitalismo no Brasil, que se definia pela subordinação da produção ao comércio. Tratava-se de mudar para manter. O estabelecimento das novas relações de produção combinou-se com a imigração de trabalhadores europeus, como recurso não só para constituir a força de trabalho necessária à cultura do café, mas também como recurso para pôr no lugar do trabalhador cativo um trabalhador livre cuja herança não fosse a escravidão. Mais de um milhão e seiscentos mil imigrantes vieram para o país no espaço de pouco mais de 30 anos, entre 1881 e 1913, a maioria dos quais para trabalhar como colonos nas fazendas de café. Devido justamente à modalidade das relações de produção aí vigentes, no chamado colonato[1], a imigração constituiu um requisito de importação constante e maciça de trabalhadores em grupos familiares. O colonato, diversamente das relações de produção caracteristicamente capitalistas, criou uma subpopulação relativa no campo, que tornou a imigração subvencionada pelo Estado um dos seus ingredientes básicos.
Martins (1973, p. 55) afirma que o Estado, ao financiar a imigração e a localização de trabalhadores, não só "socializava" a força de trabalho, para constituir um mercado de oferta que dela separasse a pessoa do trabalhador, como entendia que a elevação da densidade demográfica, por esse meio, produziria um trabalhador que se oferecesse à grande lavoura nas fases de demanda sazonal e que se automantivesse nas fases de vacância.
É nessa fase e nessas condições que os núcleos coloniais oficias adquirem seu pleno sentido, pois a agricultura de alimentos contava com um mercado que pagava altos preços. Estes núcleos sempre foram apresentados de modo a que a sua existência de alguma forma se ligasse aos interesses da cafeicultura: como abastecedores das regiões carentes de gêneros, como focos de atração de imigrantes ou como meio de criação de um semiproletariado para a grande lavoura. Em outras palavras, para Martins (1973, p. 63), a existência dos núcleos coloniais foi assentada em função da economia de exportação, embora aparentemente constituídos como se tivessem surgido as condições para uma economia de subsistência de base mercantil. Nessa dupla face estava a sua ambivalência.
Na visão de Buarque (1993) o Brasil foi primeiro um simples território; por quase quatro séculos, significou apenas o espaço físico de onde a Europa retirava pau-brasil, açúcar, ouro e café, graças ao trabalho dos escravos. Só a partir do século XIX, com a vinda da corte portuguesa em 1808, e depois de 1822, com a Independência, é possível falar em um país chamado Brasil. Mesmo assim não se pode falar ainda em uma Nação chamada Brasil. Apesar de contar com um território unificado e independente, a população não conseguiu consolidar-se em uma nação. As seqüelas da escravidão, a pobreza e o racismo, o isolamento de grandes contingentes rurais, a submissão da economia ao exterior, a cultura da elite oligárquica exportadora desligado dos interesses das grandes massas, todas as características eram de um país com território, mas um território sem nação. Somente a partir de 1930, o País dispõe de alternativas, e começa a dar sinais de querer se consolidar como Nação.

A formação do povo brasileiro


A formação do povo brasileiro
Uma só palavra ou teoria não seria capaz de abarcar todos os processos e experiências históricas que marcaram a formação do povo brasileiro. Marcados pelas contradições do conflito e da convivência, constituímos uma nação com traços singulares que ainda se mostram vivos no cotidiano dos vários tipos de “brasileiros” que reconhecemos nesse território de dimensões continentais.
A primeira marcante mistura aconteceu no momento em que as populações indígenas da região entraram em contato com os colonizadores do Velho Mundo. Em meio ao interesse de exploração e o afastamento dos padrões morais europeus, os portugueses engravidaram várias índias que deram a luz à nossa primeira geração de mestiços. Fora da dicotomia imposta entre os “selvagens” (índios) e os “civilizados” (europeus), os mestiços formam um primeiro momento do nosso variado leque de misturas.
Tempos depois, graças ao interesse primordial de se instalar a empresa açucareira, uma grande leva de africanos foi expropriada de suas terras para viverem na condição de escravos. Chegando a um lugar distante de suas referências culturais e familiares, tendo em vista que os mercadores separavam os parentes, os negros tiveram que reelaborar o seu meio de ver o mundo com as sobras daquilo que restava de sua terra natal.
Isso não quer dizer que eles viviam uma mesma realidade na condição de escravos. Muitos deles, não suportando o trauma da diáspora recorriam ao suicídio, à violência e aos quilombos para se livrar da exploração e elaborar uma cultura à parte da ordem colonial. Outros conseguiam meios de comprar a sua própria liberdade ou, mesmo sendo vistos como escravos, conquistavam funções e redes de relacionamento que lhes concediam uma vida com maiores possibilidades.
Não se limitando na esfera de contato entre o português e o nativo, essa mistura de povos também abriu novas veredas com a exploração sexual dos senhores sobre as suas escravas. No abuso da carne de suas “mercadorias fêmeas”, mais uma parcela de inclassificáveis se constituía no ambiente colonial. Com o passar do tempo, os paradigmas complexos de reconhecimento dessa nova gente passou a limitar na cor da pele e na renda a distinção dos grupos sociais.
Ainda assim, isso não impedia que o caleidoscópio de gentes estabelecesse uma ampla formação de outras culturas que marcaram a regionalização de tantos espaços. Os citadinos das grandes metrópoles do litoral, os caipiras do interior, os caboclos das regiões áridas do Nordeste, os ribeirinhos da Amazônia, a região de Cerrado e os pampas gaúchos são apenas alguns dos exemplos que escapam da cegueira restritiva das generalizações.

Enquanto tantas sínteses aconteciam sem alcançar um lugar comum, o modelo agroexportador foi mui vagarosamente perdendo espaço para os anseios da modernização capitalista. A força rude e encarecida do trabalho escravo acabou abrindo espaço para a entrada de outros povos do Velho Mundo. Muitos deles, não suportando os abalos causados pelas teorias revolucionárias, o avanço do capitalismo e o fim das monarquias, buscaram uma nova oportunidade nessa já indefinida terra brasilis.
Italianos, alemães, poloneses, japoneses, eslavos e tantos mais não só contribuíram para a exploração de novas terras, como cumpriram as primeiras jornadas de trabalho em ambiente fabril. Assim, chegamos às primeiras décadas do século XX, quando nossos intelectuais modernistas pensaram com mais intensidade essa enorme tralha de culturas que forma a cultura de um só lugar. E assim, apesar das diferenças, frestas, preconceitos e jeitinhos, ainda reconhecemos o tal “brasileiro”.

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